sábado, maio 17, 2008

Deus, Um delírio - Aula de EBD

Esse texto, é uma aula que eu e meu amigo Filipe Schulz fizemos para a EBD do Jovens que tem como tema: Apologética: Em defesa da fé. Tratamos de alguns pequenos pontos do livro Deus, um delírio do célebre Richard Dawkins. Recomendo a leitura dos livros da bibliografia.

Deus abençoe a todos nessa leitura.


DEUS, UM DELÍRIO – RICHARD DAWKINS

Diz o tolo em seu coração? “Não há Deus”. (Salmo 14.1)

Controlador mesquinho, injusto e intransigente; genocida étnico e vingativo, sedento de sangue; perseguidor misógino, homofóbico, racista, infanticida, filicida, pestilento, megalomaníaco, sadomasoquista, malévolo. (Richard Dawkins)

Richard Dawkins é um célebre cientista britânico, professor da Universidade de Oxford e é um dos maiores popularizadores da ciência. Segundo a revista Prospect, é o terceiro maior intelectual da atualidade. Deus, um Delírio, escrito por Dawkins surgiu em 2006 como um apelo à união dos ateístas de todo o mundo. É um livro altamente polêmico, que ataca com veemência a fé teísta da sociedade moderna. Richard Dawkins tenta provar em seu discurso que Deus nada mais é que uma invenção da necessidade humana e que a fé nEle não somente é inútil como é prejudicial.

Cosmovisão de Dawkins

Em seu livro anterior mais famoso, O Gene Egoísta, Dawkins estabeleceu as bases (pressupostos) de sua cosmovisão. De acordo com ele, o mundo é composto por nada além da matéria química, e foi formado à partir de um processo evolucionário baseado no pensamento de Charles Darwin. Em Deus, um Delírio, ele se propõe a usar esses argumentos para provar que Deus não existe e que o ser humano é moldado e guiado simplesmente pela sua carga genética.

Somos máquinas de sobrevivência – veículos-robô cegamente programados para preservar as moléculas egoístas conhecidas como genes. Nossos genes nos criaram. Nós animais existimos para a preservação desses e não somos nada mais do que máquinas de sobrevivência descartáveis. O mundo do gene egoísta é um mundo de competição selvagem, exploração brutal e fraude. (Richard Dawkins)

Além disso, ele apresenta, numa visão mais filosófica do que científica que o ateísmo é a única opção saudável e inteligente à religião. Esta, por outro lado, é um empecilho no progresso do pensamento humano, e deve ser erradicada a qualquer preço. A religião seria um vírus que afeta o mundo e que deve ser extinto.

Refutando o irrefutável


Dawkins começa sua argumentação afirmando que aquelas pessoas que compartilham suas idéias à respeito de Deus, da religião, e do mundo, foram agraciadas com um nível mais elevado de consciência. Esses de intelecto favorecido deveriam então começar a defender publica e veementemente suas idéias (O termo usado por ele foi “sair do armário”). Além disso, ele afirma que não discute suas idéias com ninguém que também não tenha essa ‘Consciência Mais Elevada’ – típico argumento fundamentalista. Dessa forma, ele restringe sua pregação àqueles que compartilham do mesmo pensamento, fugindo de qualquer discussão.

A partir daí, Dawkins constrói toda sua argumentação. Primeiro, afirma que acreditar que Deus tenha criado e seja responsável pelo universo é minimizar a sua complexidade. Algo como “o universo é maravilhoso demais para ter sido criado por um deus pequeno”.

Em seguida, retorna o ponto em que exalta as virtudes do ateísmo. Aqueles que não acreditam na existência de Deus são pessoas melhores, mais educadas e mais respeitosas. Para provar essa tese, o que Dawkins faz é simplesmente usar (maus) exemplos de pessoas religiosas e confronta-las: “veja quão estúpidos são esses cristão, logo, Deus não pode existir”.

Agora que já atacou a idéia de Deus como criador de tudo, e as pessoas que nEle crêem, ele ataca a própria pessoa de Deus, tomando como base uma caricatura de autoria própria do Deus do Antigo Testamento (como se o AT e o NT tivessem “deuses’ diferentes). Generalizando Deus à partir de interpretações equivocadas de passagens da Bíblia, transformando-o num monstro cruel e maldoso.

O SENHOR faz justiça e defende a causa dos oprimidos. Ele manifestou os seus caminhos a Moisés, os seus feitos aos israelitas. O SENHOR é compassivo e misericordioso, mui paciente e cheio de amor. (Salmo 103.6-8)

Antes de chegar ao ponto principal de seu livro, a hipótese da não-existência de Deus, Dawkins ainda ataca o que são, para ele, os três principais argumentos em favor de Deus: beleza, experiência pessoal e a Bíblia. Novamente generalizando, a noção de beleza que os seres humanos tem é um fenômeno puramente químico; as experiências pessoais são resumidas ao ouvir de vozes e comparadas com doenças mentais, e contra a Bíblia, aparece um argumento de que talvez Jesus estivesse enganado ao se declarar como Filho de Deus, usando como base para a interpretação bíblica argumentos que já foram rebatidos a mais de dois séculos.

Chegamos então, rufem os tambores, ao ponto alto do livro, a prova última e irrefutável de que Deus, definitivamente, não existe. Dawkins faz a pergunta máxima, o Santos Graal do ateísmo: Se Deus realmente existe, e projetou o universo, quem projetou o projetista? Em mais uma de suas numerosas contradições, Dawkins usa um argumento filosófico e nada científico para provar a não-existência de Deus. Para alguns, esse é um argumento que se espera de uma criança com seis anos de idade.

O delírio de Dawkins

Como já foi dito, Dawkins usa argumentos que, para sua posição como grande cientista que é, são impossíveis de serem aceitos com seriedade.

Seu grande argumento, e o ápice do livro, para inexistência de Deus é a pergunta: “Quem projetou o projetista?” Como Já vimos em outras aulas, isso é uma causa que não deve ser levada à frente, pois a partir do momento que voltamos, não saímos do lugar que paramos.

Se a causa imediata do universo mesmo requer uma causa, ainda não chegamos à primeira causa. Deve haver uma causa para explicar todas as causas que também são efeitos, mas é impossível regredir infinitamente, portanto deve haver uma causa primeira não causada e eterna, que criou o tempo por si mesma. Visto que nenhum efeito pode ser não causado, essa primeira causa não tem começo, e, desse modo, não é um efeito... No entanto o argumento demonstra que Deus não é um feito, mas a primeira causa não causada (Vincent Cheung).

Dawkins infelizmente trata de alguns assuntos, sem o mínimo de pesquisa, tanto de contexto como explicação histórica. O fato de ele dizer que Deus é cruel, fazendo referência ao Antigo Testamento, nada mais é que uma cegueira total. Quando Deus manda matar, muitas vezes, uma cidade inteira, Ele está agindo através de sua justiça. O que para Dawkins não faz o menor sentido. De um lado, o Deus do Antigo testamento seria um Deus vingativo e violento, mas quando, em nome da criação de uma raça superior, não existiria problema algum eliminar deficientes físicos, os evolucionistas estão apenas sendo mais “racionais”. (Dawkins não defende explicitamente esse ponto de vista do extermínio, mas um grande número de seus seguidores sem mostram favoráveis a essa idéia e jamais foram taxados de fundamentalistas).

Ele também insiste em dizer que a beleza não está em Deus. Bom isso é facilmente combatido. Na verdade quando contemplamos tudo que há de belo no mundo, não podemos atribuir isso a uma evolução biológica que gerou, por exemplo, a pétala detalhada de uma flor. Seria um tanto quanto irracional admitir que apenas um fenômeno aleatório gerasse isso. Mas, para Dawkins, esse não é um argumento lógico, pois aquilo que não pode ser provado por meio de uma equação química na verdade não existe.

Richard critica o comportamento de alguns cristãos. Num ponto em que poderia ter razão, ele acaba caindo no erro da generalização. Ele usa como exemplo, cristãos que há anos estão em guerra na Irlanda do Norte. Cita cristãos que não aceitam uma conversa com alguém que não tem a mesma fé. Bom isso é uma crítica excelente, mas não podemos generalizar. Com certeza ele se ofenderia se o comparássemos, a um de seus discípulos que xingaram o pastor que debatia com ele questões de seu livro. Culpar a religião pela violência no mundo é um pouco demais. Temos na história nações que abandonaram totalmente a fé e se lembrarmos de seus líderes não precisaremos dizer mais nada. Podemos citar Stálin na Rússia, Mao Tse Tung na China, Pol Pot no Camboja e Hitler na Alemanha. Sim, foram homens cruéis, e isso não significa que todos os ateístas sejam como eles. O importante é ressaltar que nações que negavam a existência de Deus ficaram marcadas por uma falta de “certos’ e “errados”.

Seguindo o livro, Dawkins condena o ensino religioso de crianças, e em mais um de seus delírios, diz que é melhor uma criança sofrer abuso sexual do que receber esse ensinamento quando criança (que caracterizaria um “abuso intelectual”). Quanto a isso não precisamos debater.

O livro inteiro é um grande ensaio de uma religião e principalmente um Deus falso. Dawkins chega a dizer que Deus é um maníaco psicótico e se baseia em argumentos deturpados tendo como pressuposto uma pequena minoria de pessoas, que até aos olhos protestantes não poderiam ser vistos como alguém que leva o nome de Cristo.

Dawkins também condena a religião, pois para ele, não somos seres pensantes, ou como foi dito, não atingimos a “Consciência mais elevada”. O seu grande erro é não perceber como ele mesmo transforma o ateísmo em mais uma espécie de religião. Talvez, hoje, ele seja o deus dos ateístas e age exatamente igual ao que ele condena na religião. Ele tem seus fiéis. Ele prega sua mensagem e quer converter mais pessoas a esse nível elevado de consciência. Por ele também, as escolas ensinariam suas doutrinas, para as crianças desde cedo buscarem elevar suas consciências, ou seja, ele se contradiz. E até tem a minoria, que com certeza ele condena, de ateus que não sabem argumentar e passam direto para violência verbal.

Dawkins falha ao tentar provar que Deus é um delírio e infelizmente leva muitas pessoas para o mesmo buraco fundamentalista. Suas teorias são fracas, tem argumentos facilmente refutáveis e o pior: isso tudo é contra o Deus amoroso e criador de tudo.

Conclusão


O mundo ateísta esperava que a religião acabasse. Porém o que vimos foi o contrário. Hoje, cada vez mais forte, independente de religião, as pessoas buscam o vazio dentro de si. O mundo ateísta está desesperado, e Richard Dawkins como esperança de seus fiéis tenta em Deus, um delírio, reavivar essa esperança de que a religião irá acabar.

Esse desespero talvez tenha como base o que citamos acima, de que a religião está cada vez maior. Talvez os ateus estejam sentindo uma forte aflição, pois a religião deles está em jogo.

Poderia o ressurgimento inesperado da religião convencer muitos de que o ateísmo em si é fatalmente deficiente como visão do mundo? (Alister McGrath)

Todos que lerem o livro ficaram chocados em como Dawkins usa argumentos infantis e radicais para provar algo que nem ele mesmo crê. A falha dos ateístas e do livro Deus, um delírio, é provar que algo que, para eles não existe, de fato não existe. Se para eles, Deus não existe, então não deveria ser posto a prova, pois é uma total incoerência provar algo que não existe.

Vale trazer a reflexão de como Dawkins vê o cenário cristão e religioso. Talvez em muitos aspectos ele tenha razão em criticar, e isso deve servir de lição para que possamos viver uma vida coerente como a nossa pirâmide de pressupostos. Deus nunca será um delírio, nos é que deliramos quando não vivemos uma vida coerente com o Deus que acreditamos.

Nenhum homem diz "Deus não existe", a não ser aquele que tem interesse em que Ele não exista. (Agostinho)

Bibliografia

CHEUNG, Vincent. Introdução à teologia sistemática. São Paulo: Arte Editorial, 2008.

DAWKINS, Richard. Deus, um delírio. São Paulo: Companhia das Letras, 2007.

MCGRATH, Alister; MCGRATH, Joana Collicutt. O delírio de Dawkins. São Paulo: Mundo Cristão, 2007.

ROBERTSON, David. As cartas para Dawkins. Tradução: Vanderson Moura da Silva. 2007.

sexta-feira, maio 16, 2008

Redenção

Leia Gênesis 3

Como sabemos, a queda afetou e afeta a humanidade até hoje. Mas a queda fez que Deus agisse de forma a criar um plano de salvação para suas criaturas rebeldes. O plano de salvação começa a atuar a partir do momento em que o homem peca contra a santidade do Senhor.

Depois de condenados e expulsos do paraíso, o homem perde as regalias que tinha e busca constantemente preencher o vazio que tem dentro de seus corações. Talvez possamos imaginar como Adão se sentia por ter tudo e, depois do maior erro que alguém pode cometer, ter um filho homicida, ver sua esposa sofrer as dores de parto, e mais, saber que tinha desobedecido ao seu Criador.

Como já tratamos, tudo foi criado pelo Deus, e o mesmo Jesus Cristo criador de tudo, Deus amoroso que estava presente em tudo, precisaria morrer por todos os filhos de Deus. Esse era o plano de Deus, que Cristo se entregasse como cordeiro sem pecado, para cobrir a morte de seu povo.

A redenção se manifestou na morte de Cristo, mas isso não significa que Deus não salvou ninguém que viveu antes de Cristo. A morte de Cristo levou TODOS os pecados dos filhos de Deus, inclusive daqueles que viveram antes de Jesus. Mas como isso aconteceu? Graça abundante, que já havia sido manifestada em toda obra da criação.

A Bíblia diz em Romanos 5.19 que: “Logo, assim como por meio da desobediência de um só homem muitos foram feitos pecadores, assim também, por meio da obediência de um único homem muitos serão feitos justos”.

A obediência de Jesus Cristo é a redenção do pecado de Adão e Eva. Cristo precisou morrer, e morreu em amor a criação, para salvar seus filhos. Por isso é tão importante lembrar que somos parte importante da criação, pois Cristo morreu por homens e não por árvores. O homem é importante, pois é feito à imagem e semelhança de Deus, e Cristo, o cordeiro de Deus que tira o pecado o mundo, como diz João Batista, precisou se entregar por nós – filhos de Deus.

Deus, em sua infinita perfeição, arquitetou tudo: o Filho da Trindade se fez homem e foi obediente até a morte para salvar seu povo rebelde. Mas porque Cristo faria isso por nós, já que pecamos diariamente? Isso se chama Graça – um favor imerecido de Deus. Nós não merecemos a salvação, mas Cristo se entregou por sua igreja em um ato de amor: onde abundou o pecado a sua Graça superabundou.

Apesar de entender que todos nós merecemos a morte, Deus, por sua infinita misericórdia, nos deu salvação na obediência de Jesus. Em Cristo está a redenção.

E recordai que Cristo teve que sofrer o equivalente a todos os infernos de todos os Seus redimidos. Eu não posso expressar este pensamento melhor do que com aquelas conhecidas palavras: parece como se o Inferno fosse posto em Seu copo; Ele o tomou, e, “Num tremendo gole de amor, Ele bebeu a condenação, deixando o copo seco”. Assim, pois, não há nada restante de todos os sofrimentos e misérias do Inferno que o Seu povo deveria sofrer para sempre. Eu não digo que Ele sofreu nesta mesma proporção, mas que suportou um equivalente a tudo isto, e deu a Deus a satisfação por todos os pecados de todos de Seu povo, e conseqüentemente, levou um castigo equivalente a todos os castigos deles. Podeis agora sonhar, podeis imaginar a grande redenção de nosso Senhor Jesus Cristo? (Charles Haddon Spurgeon – 1858)

Queda

Leia Gênesis 2-3

Tudo foi criado de acordo com a vontade do Deus Trino. É importante lembrar que todas as pessoas da Trindade estavam presentes na criação – Deus Pai, Jesus Cristo e o Espírito Santo. Partindo desse pressuposto, quando no capítulo 1 é retratada a criação específica do homem, vemos a diferença clara entre a criação do homem e do resto do mundo. Ainda no capítulo 1.26 lemos assim: “Façamos...”, ou seja, a indicação Trina da criação.

O homem foi criado à imagem e semelhança de Deus. Fomos formados do pó, e ao pó voltaremos. Porém, podemos ter o seguinte questionamento: se fomos criados à imagem e semelhança de Deus, então por que pecamos? Fácil; porque fomos feitos mutáveis. E em Deus não há sombra de variação. Mas ainda voltando ao questionamento: então porque não nos foi dado todos os atributos de Deus? Simples; porque só existe um Deus, e nós somos apenas vasos nas mãos do oleiro. Por isso, nessa condição de criaturas, mesmo sendo formados à sua imagem e semelhança, não poderíamos ser como o Criador; somos mutáveis e suscetíveis ao pecado.

Deus criou a mulher para ser companheira do homem, para poder ser ajudadora, sendo o homem responsável por cuidar e amar sua esposa. E até hoje é assim. Eva veio do próprio Adão, confirmando ainda o conceito de casamento: ser uma única carne.

Adão tinha o domínio sobre tudo o que pertencia ao jardim, mas o próprio satanás (que já havia caído) se disfarçou como serpente para trazer engano à mulher. Vale a pena notar que o diabo usou com Jesus – e usa com todos nós – a mesma técnica: ele nos quer contra Deus. Ele tentou Eva para que ela colocasse as ordens de Deus em questionamento. E, por termos a natureza mutável, Eva e, em seguida, Adão, desobedecem a Deus e imediatamente sentem a vergonha por estarem nus.

Essa sensação não é novidade para nós, pois vivemos pecando diariamente e talvez também nos sintamos envergonhados como o primeiro casal do mundo.
A queda do homem implica seriamente em nossa vida diária. Primeiro pecamos contra Deus, depois perdemos nossa liberdade, pois fomos contra a vontade de Deus e estamos condicionados ao pecado (Rm 3.10-13). Depois que o pecado contaminou toda a humanidade, nossos pensamentos são levados aos erros, aos enganos de nosso coração.

Perdemos a Graça de Cristo manifesta na criação. Hoje os filhos de Deus são alcançados pela Graça, mas isso vem de Deus, e mesmo assim pecamos diariamente. O pecado arruinou o mundo.

Adão e Eva merecidamente foram expulsos do Paraíso. E é isso que acontece conosco
todos os dias. Através do nosso pecado somos expulsos, por nossa culpa, do paraíso de Deus. Isso não quer dizer céu para os salvos, mas, para aqueles que não são salvos, isso é verdade. Eles perderam a benção do Paraíso eterno e foram condenados à perdição e cumprirão o castigo eterno no inferno.

A queda é algo presente, ocorreu há milhares de anos, mas até hoje vemos e sentimos os efeitos da queda em nossas vidas. Infelizmente, como diz R. C Sproul: a queda é uma irracionalidade manifesta.

Só a Graça de Deus pode nos livrar de quem somos.

Criação

Leia Gênesis 1

Ao pensar na criação, pensamos em algo grande, trabalhoso e cansativo. Realmente seria se fosse criado por mãos humanas, como crêem aqueles que defendem a evolução. Mas, para Deus, a criação foi uma forma dEle manifestar seu amor, seu cuidado, sua perfeição. Foi algo extremamente grandioso porque foi feito pelo Deus grandioso. E é importante notar o cuidado com cada detalhe. Logo de início, o Criador separa a luz das trevas e diz que a Luz é boa. Não que a noite não seja boa, mas a palavra trevas talvez faça alusão a alguma coisa ruim, como lemos em outros versículos da Bíblia.

Deus criou tudo: dia, noite, separou o firmamento das águas, criou as águas (isso engloba tudo), a terra, fez nascer plantas no que a Bíblia descreve como a parte seca, criou também os animais. Tudo com um extremo zelo que só Deus poderia fazer.

A grande diferença da criação do homem é o fato de Deus tê-lo criado a sua própria imagem e semelhança. Deus pôs no homem a sua própria semelhança, motivo esse que nos faz especiais na criação. Mas outro aspecto importante é que, em vários momentos da criação, lemos Moisés descrevendo que Deus ‘viu que ficou bom’. E assim que termina a criação, Deus chega a uma conclusão: tudo ficou muito bom!

Deus criou tudo e a Ele tudo pertence. Na antiguidade, dar nome a algo significava um poder, domínio. Ou seja, tudo que Deus faz é dEle. Inclusive a humanidade, cabendo a Ele fazer o que quiser, pois tudo que ele faz é bom. Deus fez algo grandioso, nos deu tudo. Céu, dia, noite, terra, água, animais; e tudo isso para que o homem glorifique a Ele em toda a criação. Cada detalhe que Deus criou tinha um motivo único: glorificar o seu próprio nome. Por isso é função da igreja cuidar da criação, pois a glória de Deus se reflete nela.

Tudo que Deus fez foi em seis dias. Mas, no sétimo, Ele descansou. Vale a pena notar que Deus não precisava do descanso. Mas Ele o fez para contemplar sua criação. Um dia que deveria ser santificado. Descanso no hebraico (língua em que foi escrito o A.T) significa sábado. Mas o importante de se notar é que Deus realmente viu que tudo tinha ficado muito bom. Por isso ele santificou o sétimo dia, por isso Ele mesmo se contemplou, pois viu a sua criação toda pronta.

Deus, dono de tudo, autor e criador de tudo. Ele é o nosso dono, nosso senhor, e devemos tudo a Ele. Tudo que Ele fez é muito bom. Tudo que o Senhor faz Ele mesmo contempla, pois Deus faz em santidade, que é uma característica dEle. Nós, apesar de sermos a imagem e semelhança, devemos desfrutar de tudo que Deus criou como o Senhor mesmo fez: em santidade.

Deus mostrou sua onipotência na criação. Transformou o nada em algo muito bom. Habitou e criou tudo para honra e glória do seu nome.

Os céus declaram a glória de Deus; o firmamento proclama a obra das suas mãos.
Salmos 19.1